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VoltarPor: Carlos Alberto Chiarelli
Felizmente, a inclusão de portadores de necessidades especiais está sendo a pauta das principais rodas de discussão do Brasil. E não poderia ser diferente, uma vez que existem hoje no país mais de 25 milhões de pessoas com deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos principais temas trabalhados é o difícil caminho destas pessoas ao se dedicarem aos estudos. Por mais que existam diversas legislações que tentem garantir o acesso desta parcela significativa da população ao ensino, poucos avanços são feitos. Um exemplo é o decreto nº 186, de 2008, que ratifica o texto da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas com deficiência e afirma que os sistemas educacionais devem ser inclusivos.
Mas, infelizmente, poucas instituições estão preparadas fisicamente para atender a esta demanda. Ainda se perpetua no Brasil a dificuldade de acesso, inclusive material, das pessoas com deficiência nas escolas e universidades. Da mesma forma que a falta de preparo dos profissionais da educação realmente especializados para operar no setor, dificulta, sobremaneira, a inclusão dessas pessoas.
E é neste ponto que verificamos como os avanços tecnológicos conseguem modificar a realidade de muita gente. A Educação a Distância (EAD), por exemplo, é uma das melhores ferramentas para proporcionar um ensino de qualidade aos portadores de necessidades especiais. Por isso, o número de pessoas com deficiência no terceiro grau a distância cresce anualmente.
Somente entre 2007 e 2008, o aumento nas graduações foi de 340%, o que, percentualmente, é expressivo, mas em dados individuais, é quase desprezível matematicamente. Hoje, aproximadamente 600 portadores de necessidades especiais estão cursando a faculdade utilizando tal metodologia. A utilização de novas e arrojadas tecnologias proporciona, no caso de limitações, satisfatório atendimento, desenvolvendo instrumental específico para cada deficiência. Este é o segredo do sucesso da EAD, que pode levar o acesso ao saber a todos sem discriminação, proporcionando sensíveis avanços.
A inclusão está sendo implementada com o ferramental da moderna tecnologia voltada (e diria mais: produzida) especificamente para a educação. A sorte está lançada. Há, no entanto, mais do que um rubicão pela frente: vícios históricos, padrões culturais anacrônicos, obstáculos materiais (físicos e financeiros) são barreiras desafiadoras. Importante é conhece-las para enfrentá-las. Vale, no caso, ironicamente, o brocardo latino: "Si vis pacem, para bellum" (se queres a paz, prepara-te para guerra). A nossa é a paradoxal e fraterna guerra solidária, sem inimigos e sem vítimas, na qual os prêmios pela vitória são a inclusão e a cidadania.